The Blog for you

by Lau Tsé-tsé, o filósofo do sono

Cena 12

May31

(Sentado, cansado e procurando um motivo para dormir)

Não há nada mais que eu possa fazer e ser ser produtivo agora de noite. O cansaço já não é só mais físico…mas também mental. No limite do desgaste o cérebro pede uma pausa. Ele já enxerga em um horizonte próximo uma trégua de alguns dias mas deseja com todas as forças e impacientemente que esse dia chegue o mais rápido possível.

Há uma tensão. Um ruído contínuo como um transformador em pleno funcionamento. Todos os movimentos e percepções são aceleradas e a sensação de que não há tempo para o descanso.
Pura percepção errônea e perigosa.

Instead of staying awake, i should waste (maybe that’s not the right word) time thinking what the hell i can do in this moment. Allways alert. Allways in the imminent of action but still.
Maybe getting a rest would be the proper thing to do now. Just forget my mental to-do list and start to really do things for my health, my consciousness balance and body recharge.
I’m just sick and tired of this procrastination that rules some aspects of my daily routine. I think it’s time to get rid of this madness forever. Just focus on things that are really matters.
I know that’s not that hard. And i’m one of the kind that can surely do. It’s a matter of focus.

You’re probably asking why I started to write in english. The answer is simple: i don’t know either.
But one thing is true: i’m not jailed in any kind of communication pattern right now. Just wanted to express…Doesn’t matter if it’s done in english, português ou auf Deutsch.

(Light starts to fade and a piano plays Chopin. Then, black screen an the lettering: …to be continued.)

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Cena 11

May26

(23:41h - Ainda dá tempo de dizer para ela o que ela representa para mim.)

Eu não existo sem você.

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você

Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

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Cena 10

May25

(Domingo, 22:31h. Os poucos móveis me observam cruzar a sala para o escritório. Silêncio total).

Aqui estou eu no escritório. Após tirar a roupa, sento em frente ao computador e acesso minha vida digital. Várias coisas para olhar, para saber, para procurar. Normal.
A noite segue normal, sem problemas nenhum, quando começo a escutar pequenos ruídos, barulhos estranhos vindo da sala ou da cozinha. Não consegui identificar.
Apaguei a luminária…tudo escuro. Levanto vagarosamente e vou pra sala averiguar esses barulhos.

(…)

Nada. Nenhum sinal de porta aberta, de objeto caído. Simplesmente nada.
De qualquer forma, dei uma olhada geral na casa para me certificar. Provavelmente era o vento na porta que fazia os barulhos.

Volto pro escritório. Desconfiado…mas volto.
Começo a olhar uns sites e…olha o barulho de novo. Olhei para a porta do escritório e deixei pra lá. Mas o barulho insistia em pequenos intervalos e resolvi levantar novamente. Nada mais uma vez. Muito estranho.
Há quem acredite em fantasmas, almas penadas, coisas do além. Eu, particularmente, tenho mais medo dos vivos do que dos mortos.

(…)

Volto pro escritório convencido de que estou ouvindo coisas.

(…)

Barulhos no quarto dessa vez. No assoalho.
Vou no quarto, que está com a porta aberta. Nada, como era de se esperar.
Acendi a luz e só havia o vento sacudindo a cortina.
Provavelmente já intrigado com esses barulhos, qualquer ruído que acontecesse meu cérebro já associaria aos barulhos estranhos da sala.

Pra quem mora sozinho, esse tipo de coisa gera 2 situações:

1. Medo do suposto “sobrenatural”
2. Medo de pessoas com intuitos nada agradáveis em seu patrimonio.

Como disse anteriormente, tenho mais medo de gente do que de fantasma. Por isso fiquei alerta com os barulhos da porta da sala. Apesar de ter grade no meu apartamento, cuidado e atenção nunca são demais.

Vou comprar uma escopeta e deixar do lado da cama.

Engraçado…foi só falar de escopeta que os barulhos pararam…acho que os fantasmas ficaram com medo de morrer.

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Cena 09

May23

(21:43h - Temperatura legal. No celular conectado no Home Theater, o som da noite: Sade. Clima perfeito, som perfeito, astral lá em cima. Bilhões de vezes melhor do que estar na rua nesse momento).

Kiss of Life

There must have been an angel by my side
Something heavenly led me to you
Look at the sky
It’s the color of love
There must have been an angel by my side
Something heavenly came down from above
He led me to you
He led me to you
He built a bridge to your heart
All the way
How many tons of love inside
I can’t say

When I was led to you
I knew you were the one for me
I swear the whole world could feel my heartbeat
When I lay eyes on you
Ay ay ay
You wrapped me up in
The color of love

You gave me the kiss of life
Kiss of Life
You gave me the kiss that’s like
The kiss of life

Wasn’t it clear from the start
Look the sky is full of love
Yeah the sky is full of love
He built a bridge to your heart
All the way
How many tons of love inside
I can’t say

You gave me the kiss of life
Kiss of Life
You gave me the kiss that’s like
The kiss of life

You gave me the kiss of life
Kiss of Life
You gave me the kiss that’s like
The kiss of life

You gave me the kiss of life
Kiss of Life
You gave me the kiss that’s like
The kiss of life

You wrapped me up in the color of love
Must have been an angel come down from above
Giving me love yeah
Giving me love yeah

You gave me the kiss of life
Kiss of Life

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Cena 08

May22

(O carro sendo guiado pelo inconsciente e pela visão periférica, enquanto a mente analisa a cena em terceira pessoa).

O trânsito está até agitado para um dia de feriado. Algumas ruas estavam livres mas no geral, ao longo dos 11km de trajeto, bastante carro na rua.
Esse povo não tem o que fazer não? Sei que é feriado e que o pessoal quer sair de casa…mas em plena quinta? Muita gente trabalha amanhã…ou será que vão enforcar? Será?
Bom, independente dos enforcamentos, eu vou trabalhar…bastante coisa pra fazer. Sei que o ritmo vai ser mais lento…mas eu não posso deixar esse ritmo coletivo atrapalhar o dia de trabalho. Dia normal, como outro qualquer.

(Buzina)
Mas que merda! Se quer andar devagar, ande na pista da direita. E ainda fica falando no celular. Porra!
Deve ser pirraça. Só pode ser pirraça. Filho da puta.

(Sinal de luz)
Na moral, não estou com pressa…mas andar a 50km/h na ACM é pra enlouquecer…e não tem ninguém na frente. Por que não passa pra pista da direita? Essa galera dirige muito mal…muito mal mesmo.

(Ultrapassagem com olhar de negação)
Enfim…deixa lá.

(trilha: Machine Men. Aumenta o volume para 32)
Há de se ter cuidado ao ouvir esse tipo de som e dirigir. Se deixar levar pelo som, vou andar correndo demais. Parece um game…mas se bater aqui não tem extra-life. Desacelera.

O clima da cidade está bom…temperatura agradável e por isso o passeio fica melhor. As luzes dos carros fazem um balé nas pistas…é a cidade bombeando o venoso (ou seria venenoso?) para viver.

(Nota sobre a trilha: Putz…muito bom isso! Muito bom!)

Aciono o controle. Portão abre.
@home, finally.

Os vizinhos sempre ficam olhando você chegar. Pego minha Wired, abro o portão e volto pro casulo nerd.

A verdadeira liberdade enclausurada.

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Cena 07

May20

(Porta se abre, luz penetra na sala e revela a penumbra do cansaço no assoalho)

12:01 AM.
Já é um novo dia. Mas o corpo e a mente ainda estão há alguns dias de atraso.

Finalmente em casa.
Os dias têm sido longos e o cansaço revela-se no olhar opaco. Pálpebras languenzas e o ritmo mais lento por teimosia.
Tantas coisas foram feitas nas últimas horas que a memória seletiva não consegue processar o que é importante e o que é irrelevante. Tudo está no limiar do esquecimento.
O clima frio do escritório é perfeito para congelar o mundo lá fora para que o foco tenha 17′ e só.
Imersão total, Matrix laboral com direito a plug no cérebro.

“Bring me back, operator”.

Apesar do esgotamento mental, bem mais mental do que físico, a sensação de alívio por ter de onde tirar rendimento abranda e justifica o risco do malabarismo sem rede de segurança. Se cair, morre.
Nesse caso, a necessidade faz o malabarista.

O processo agora é tomar um banho quente relaxante, ligar a tv e descansar um pouco. Agora de noite eu não quero ler, não quero ouvir podcasts, não quero clicar, linkar, responder, atender…agora eu quero a mim. Mesmo que eu só me tenha lúcido por míseros minutos.

Que assim seja.

(Porta se fecha e acendo a luz da sala).

12:02 AM.

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Cena 06

May19

(Fade in…olhando para a estante no escritório de casa. Gira a cadeira em direção às prateleiras e pensa…)

Algumas vezes na minha vida eu penso na quantidade enorme de informações que eu preciso digerir. Não é que são obrigatórias…mas me faria muito feliz se eu conseguisse ler tudo o que eu tenho interesse. Mas eu sei que isso é uma coisa completamente impossível para o meu contexto atual. Já seria muito dificil se eu só fizesse isso em todas as horas do meu dia.

Penso que poderei chegar em uma situação mais próxima disso quando eu estiver aposentado. Porém, sei que não sou de ficar parado e por isso também acredito que vou arrumar alguma coisa pra fazer e não vou concretizar esse meu sonho de consumo intelectual e de leitor.

Fazer o que, né? A vida tem dessas coisas.

Mesmo assim, eu continuo comprando livros e mais livros, guardando referências, bookmarks, e-mails, tudo o que eu identifique como possível conteúdo que mereça a minha leitura posterior, que raramente acontece.

Percebo também que essa “agonia” literária se estende para outras mídias. Guardo milhões de mp3, filmes que eu baixo, arquivos, e-mails de 1995, quando a internet começou no Brasil e eu comecei a ter acesso. Loucura total. Um colecionador de dados? Uma biblioteca sem leitores? Um repositório de dados que talvez jamais sejam usados?

- Pra que? (sombrancelhas levemente levantadas e uma postura de dúvida nos ombros).

Para atender ao apego material transferido para o mundo digital. Será que o fato de poder armazenar tanta informação não seja uma transferência da imposibilidade de armazenar na vida aqui fora? Será que é uma atitude compensatória? Será que é uma forma mesquinha de deter um conhecimento que na verdade são apenas dados ainda?

Será que eu não estou agindo da mesma forma que a igreja católica medieval?

Informação é poder? E dados puros e não aproveitados? São o que?

Talvez a onipresença digital diminua um pouco essa neurose de armazenamento. Tudo estará disponível online…e sua onipresença permitirá acessar os dados instantaneamente.

Mas esses dados estarão armazenados aonde? Na própria rede? Você confia?

Confia em quem? Em Deus ou no Google?

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Cena 05

May17

Aos 14 anos de idade sua vida gira em torno de referências.
Você observa o mundo ao seu redor e tenta extrair ou interagir, a partir de padrões pré-estabelecidos pela sua própria experiência de vida, com as coisas ou pessoas que tornam-se ícones.
Quem nunca teve um ídolo? Quem nunca sonhou em um dia fazer aquilo que seu ídolo fazia tão bem?

Aos 14 anos eu era skatista. Amador, claro. Mas curtia demais aquela fase.
Minha vida, assim como a de meus amigos, girava em torno de referências…marcas de skate, manobras novas, sessions perfeitas, skateparks, filmes de skate e, é óbvio, os grandes skatistas profissionais, que eram as verdadeiras referências para nós.

Aos 14 anos sentávamos na casa de um dos amigos para assistirmos filmes de skate e sonhar com aquelas manobras fantásticas e lugares perfeitos para uma session. Imaginávamos conseguir fazer as mesmas manobras, encontrar os mesmos obstáculos…era tudo um grande sonho que fazia o contaponto com a nossa realidade. Ao terminar o filme, saíamos correndo pelas ruas, andando de skate, tentando estabelecer uma conexão com nossos ícones.

O tempo passa.

Hoje, muitos dos meus amigos, a grande maioria, não anda mais de skate. Trabalho, família, ocupações, lei da gravidade…tudo isso interferiu para que a gente deixasse aquela “suposta brincadeira” para trás. Ao longo do tempo, o que sobra são as amizades e as boas lembranças.

Aos 34 anos de idade, jamais imaginei que todos aqueles sentimentos voltariam de forma tão latente.
Hoje, a internet permite a interação entre as pessoas, onde quer que elas estejam e isso é uma das grandes maravilhas do nosso mundo conectado.
A internet me levou de volta aos 14 ou me trouxe os ícones de 20 anos atrás.

A minha referência maior: Natas Kaupas. Skatista profissional.

Para maiores informações:

Biografia Natas Kaupas:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

SK8 4 FUN!

(Fade to black)

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Cena 04

May16

Enquanto digito, estou gravando…testando para ver como é que ficam as imagens nesse post.
O que vc está lendo é exatamente o que estou digitando no video. Multimidia? Sei lá…

É só um teste, uma brincadeira…ou então um post sem sentido. Mas o que seria da vida se tudo fizesse sentido?

É assim que eu geralmente faço meus posts…penso e digito ao mesmo tempo…sem tempo para revisão, sem tempo…cacoete do meu dia-a-dia.

Abraço.

Tem mais cenas? Num sei…

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Cena 03

May16

(01:06 AM - silêncio, meia-luz. Olhando para a parede e conversando em pensamento enquanto a luminária revela as texturas e imperfeições da tinta barata do escritório)

“Dias de muita correria. Bom, pelo menos sei que não estou correndo à tôa.
Se não fosse a incompetente da Velox, que nos deixou 3 dias sem conexão, algumas coisas estariam bem mais resolvidas e não haveria tanto desespero. Bando de sacanas.

Felizmente a noite de hoje me salvou de mais stress.
Jantarzinho legal, apesar do macarrão não ter sido profissional…mas pelo menos enganou.
Agora estou aqui ouvindo metal e em alto mar sem vela nem motor…completamente a favor da maré, sem rumo, sem nada. De vez em quando é importante ficar assim de bobeira. Gosto. Tranquiliza.

Resolvi mesmo fazer um blog pessoal. Tinha decidido que meu blog principal iria mudar e vou deixá-lo mesmo com uma tônica menos pessoal. Falarei de outras coisas, outros assuntos que não estejam ligados à minha vida particular. Esse blog por exemplo será mais específico para as coisas que eu penso, que quero registrar mas não cabem no blog principal, que tem público já.

Se você está lendo esse post, chegou aqui provavelmente pelo Google, pois, a premissa básica é não divulgá-lo. A ninguém mesmo. Quero ver até onde iremos com a divulgação zero.
Isso não proíbe ninguém de acessá-lo ou de comentar os posts. Só não vou divulgar. Opção. E espero que isso seja segredo nosso, ou seja, não divulgue também. Seja um pouco egoísta e venha aqui sempre ler sozinho. Não precisamos mostrar nada para ninguém.

Daqui a alguns dias entrarei de férias. FINALMENTE.
Digo isso porque eu nunca tirei férias na minha vida, por incrível que pareça. Aos 34 e sem tirar de dentro. Pois é. Mas agora eu vou tirar 15 dias para dar uma relaxada, pensar em outras coisas, me afastar do computador (vou tentar) e focar um pouco em outras coisas que não o trabalho.
Vou viajar. Passar 10 dias tomando um banho de civilização. Férias de Nerd é em megalópole, né? Nada de praia, sombra, água de coco, coqueiro, rede…nada disso. Quero agitação. Variedade e qualidade cultural, gastronomia, novos lugares, museus, paisagens urbanas, arranha-céus, gente correndo…e eu observando a dinâmica da cidade como turista. Parte integrante e ao mesmo tempo vendo tudo em terceira pessoa. É como se a cidade estivesse em um ritmo mais acelerado e eu passeasse em slow motion. Observando.

Já é hora de dormir? Que saco…vou ouvir um podcast…cadê meu iPod?”

(fade to black)

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