November9
(Trilha: All my love - Led Zeppelin)
23:30h.
Um pouco tarde para os meus propósitos mais recentes. Mas dormir em um momento mágico não é exatamente o que estou pensando agora.
Deitado em minha cama, à meia-luz, relembro algumas cenas do meu final de semana e toda a trajetória que me fez chegar até aqui, que começou com aquele casamento e o vestido verde.
Mágica. Pacto. Cumplicidade. Verdade.
A história transparecia e acontecia finalmente no dia em que os olhares se fixaram na certeza de que o destino havia nos unido. Certeza.
Naquela noite, celebramos o início de uma nova vida. Um pacto, um casamento paralelo, em meio à festa grandiosa e todas as pessoas que não sabiam, mas estavam testemunhando o puro amor.
Discreto, surpreendente e infinito.
All of my love, all of my love, oh,
All of my love to you, now.
Vejo agora, deitado em minha cama, o vestido verde pendurado atrás da porta do quarto, bailando com o vento, da mesma forma que o vi bailando na minha frente naquela noite. Na nossa noite.
E tudo vem na minha lembrança, de tudo o que passei até chegar aqui. Todas as adversidades e sorrisos.
Minha felicidade baila com o vestido verde, que mesmo pendurado atrás da porta, me trouxe à vida novamente.
All of my love, all of my love, oh,
All of my love to you, now.
October19
(Trilha: Disarm - Smashing Pumpkins)
Domingo de manhã.
Além da lista de coisas que ainda preciso fazer antes de sair de casa, penso que hoje devo fazer alguma programação interessante com minha menina. O dia está ótimo para ir a uma praia ou almoço no playground. O que faz até um contraponto com a trilha de agora, que condiz mais com a noite, perto da hora de dormir ou quando estou mais introspectivo.
O anjo cromado e o Michael Wazowsky perguntam o que estou fazendo uma hora dessas na frente do computador. A pergunta é pertinente e a resposta eu ainda não sei.
E sinceramente…em vez de descobrir vou sair.
October17
(Cansado demais para desistir de escrever…)
Toda experiência é válida. Mas tudo tem seu fim.
Ao finalmente olhar ao redor, verifiquei que o investimento de tempo na tarefa nobre da “facilitação educacional” não mais se faz interessante e prazerosa como outrora.
Se pelo menos houvesse uma recompensa não-financeira que justificasse o esforço, tenha certeza de que lá estaria eu, de bandeira em riste apontando para o horizonte de possibilidades.
Não há mais porque lutar.
Não abandono covardemente uma batalha e sim recuo para novas atribuições.
O tempo precioso que nos é oferecido diariamente deve ser melhor aproveitado, mesmo que para somente descansar. Os lucros serão maiores, bem maiores.
Eis que esse post já se configura como uma despedida…talvez uma pausa…mas na verdade mesmo, uma despedida.
Aos que tiveram a oportunidade de acreditar, sucesso.
Aos que presentes estavam longe, postura.
Aos que não menciono, relevância.
Este simples camponês, que muitas vezes sem humildade e compreensão dos limitações alheias pregou o que acredita, agora silencia e compartilha apenas seu sorriso cínico e descrédulo.
October1
(Extraído do Hello Stranger)
“Religion is an insult to human dignity. With or without it you would have good people doing good things and evil people doing evil things. But for good people to do evil things, that takes religion.”
Steven Weinberg
August20
(Solidão ou paz?)
O silêncio da noite só não abafa o grito da dúvida sobre a melhor forma de otimizar o tempo.
Impaciente pela rotina, visto o escafandro da vontade e me jogo no mar de referências e atividades que precisam de minha atenção.
Mas agora é noite e o contraponto dos horários reserva a reclusão física e de pensamentos em um cômodo frio, impessoal e disforme.
Seria o momento de reflexão, de imersão na própria existência e organização dos anseios pessoais, verificando as necessidades e ações para atendê-las.
Não hoje.
Hoje é dia de sentir saudades. Mesmo com poucas horas de ausência.
E assim o tempo para, olha pra mim e finalmente diz:
- Relaxe!
Ao saber que o sono protege minha menina, durmo em paz.
August20
(Poucos carros na rua às 5:15h. Insônia inesperada)
O silêncio me acorda e me acompanha nesta manhã de quarta-feira. Já estamos na metade da semana e lembro claramente que domingo foi ontem. Sinceramente eu não entendo o porque de tanta pressa do tempo.
A quantidade de atividades é tão grande que as horas aproveitam para passar despercebidas pela ampulheta da vida. Quanto mais atribulações mais largo o canal de passagem da areia.
O céu nublado promete chuva e ventos fortes durante o dia. Ótimo.
Por que estou acordado uma hora dessas?
Espero mesmo que não haja nenhuma resposta.
July9
(Trilha: barulho do ventilador soprando as idéias para fora da janela)
Praticar o desapego no seu aspecto mais amplo é um exercício zen de viver de uma forma contrária ao que nos foi imposto pela sociedade capitalista e também machista.
Em detrimento do “viver melhor” seguimos uma série de regras e paradigmas de novela inquestionáveis e limitantes que cegam e constróem sentimentos nocivos, porém latentes, da própria natureza humana.
O desapego é um desafio. E esse desafio possui níveis e escalas que são completamente variáveis em cada situação e para cada pessoa.
Ao mesmo tempo em que um objeto ou ação pode ser mais relevante do que a existência de uma pessoa conhecida, o contrário pode ser também verdadeiro para um outro ser ou ponto de vista.
E qual é o método para praticar o desapego?
Talvez as pessoas frias e calculistam tenham mais facilidade em encarar essa tarefa de forma mais simples. Aos mais emotivos, sofrimento.
A vida não é cartesiana. Mas a mentalidade sofrida ou a objetividade das pessoas pragmáticas constrói uma proteção confortante como um colete à prova de balas. O tiro machuca mas não mata.
Essa pseudo-imortalidade da postura gélida, inconscientemente anula a emotividade e torna a vida menos vida.
O desapego é um tipo de morte.
July9
(Braços sobre a mesa apoioando a cabeça com os punhos cerrados. Pensativo e inoperante)
Eu acredito que as únicas coisas que possuem uma estreita ligação com a minha personalidade aqui nessa casa são os meus livros. Todos eles.
Essa bibliografia acaba, de certa forma, moldando minhas características pessoais e o contexto de minha existência. Claro, o homem é produto do meio. Ou melhor: você é aquilo que você consome.
Vejo outros objetos e simulando uma situação de real necessidade, verifico que todos eles são supérfluos e de maneira alguma entrariam na minha lista hierárquica de necessidades.
Os livros representariam uma pequena porção da construção do ser. Modus operandi.
Quero sair desse apartamento. E as únicas coisas que levarei daqui serão minhas roupas (nem todas elas) e meus livros.
Dessa forma saio daqui levando minha proteção e a formação de meu caráter por completo.
May31
(Sentado, cansado e procurando um motivo para dormir)
Não há nada mais que eu possa fazer e ser ser produtivo agora de noite. O cansaço já não é só mais físico…mas também mental. No limite do desgaste o cérebro pede uma pausa. Ele já enxerga em um horizonte próximo uma trégua de alguns dias mas deseja com todas as forças e impacientemente que esse dia chegue o mais rápido possível.
Há uma tensão. Um ruído contínuo como um transformador em pleno funcionamento. Todos os movimentos e percepções são aceleradas e a sensação de que não há tempo para o descanso.
Pura percepção errônea e perigosa.
Instead of staying awake, i should waste (maybe that’s not the right word) time thinking what the hell i can do in this moment. Allways alert. Allways in the imminent of action but still.
Maybe getting a rest would be the proper thing to do now. Just forget my mental to-do list and start to really do things for my health, my consciousness balance and body recharge.
I’m just sick and tired of this procrastination that rules some aspects of my daily routine. I think it’s time to get rid of this madness forever. Just focus on things that are really matters.
I know that’s not that hard. And i’m one of the kind that can surely do. It’s a matter of focus.
You’re probably asking why I started to write in english. The answer is simple: i don’t know either.
But one thing is true: i’m not jailed in any kind of communication pattern right now. Just wanted to express…Doesn’t matter if it’s done in english, português ou auf Deutsch.
(Light starts to fade and a piano plays Chopin. Then, black screen an the lettering: …to be continued.)
May26
(23:41h - Ainda dá tempo de dizer para ela o que ela representa para mim.)
Eu não existo sem você.
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes