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by Lau Tsé-tsé, o filósofo do sono

Cena 07

May20

(Porta se abre, luz penetra na sala e revela a penumbra do cansaço no assoalho)

12:01 AM.
Já é um novo dia. Mas o corpo e a mente ainda estão há alguns dias de atraso.

Finalmente em casa.
Os dias têm sido longos e o cansaço revela-se no olhar opaco. Pálpebras languenzas e o ritmo mais lento por teimosia.
Tantas coisas foram feitas nas últimas horas que a memória seletiva não consegue processar o que é importante e o que é irrelevante. Tudo está no limiar do esquecimento.
O clima frio do escritório é perfeito para congelar o mundo lá fora para que o foco tenha 17′ e só.
Imersão total, Matrix laboral com direito a plug no cérebro.

“Bring me back, operator”.

Apesar do esgotamento mental, bem mais mental do que físico, a sensação de alívio por ter de onde tirar rendimento abranda e justifica o risco do malabarismo sem rede de segurança. Se cair, morre.
Nesse caso, a necessidade faz o malabarista.

O processo agora é tomar um banho quente relaxante, ligar a tv e descansar um pouco. Agora de noite eu não quero ler, não quero ouvir podcasts, não quero clicar, linkar, responder, atender…agora eu quero a mim. Mesmo que eu só me tenha lúcido por míseros minutos.

Que assim seja.

(Porta se fecha e acendo a luz da sala).

12:02 AM.

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