Cena 14
(Trilha: barulho do ventilador soprando as idéias para fora da janela)
Praticar o desapego no seu aspecto mais amplo é um exercício zen de viver de uma forma contrária ao que nos foi imposto pela sociedade capitalista e também machista.
Em detrimento do “viver melhor” seguimos uma série de regras e paradigmas de novela inquestionáveis e limitantes que cegam e constróem sentimentos nocivos, porém latentes, da própria natureza humana.
O desapego é um desafio. E esse desafio possui níveis e escalas que são completamente variáveis em cada situação e para cada pessoa.
Ao mesmo tempo em que um objeto ou ação pode ser mais relevante do que a existência de uma pessoa conhecida, o contrário pode ser também verdadeiro para um outro ser ou ponto de vista.
E qual é o método para praticar o desapego?
Talvez as pessoas frias e calculistam tenham mais facilidade em encarar essa tarefa de forma mais simples. Aos mais emotivos, sofrimento.
A vida não é cartesiana. Mas a mentalidade sofrida ou a objetividade das pessoas pragmáticas constrói uma proteção confortante como um colete à prova de balas. O tiro machuca mas não mata.
Essa pseudo-imortalidade da postura gélida, inconscientemente anula a emotividade e torna a vida menos vida.
O desapego é um tipo de morte.